FAQ Jurídico

Suas dúvidas
respondidas com precisão técnica.

88 perguntas sobre contratos, sociedade, LGPD, startups, prevenção de processos, direito trabalhista e do consumidor — respondidas pelo Dr. Alexandre Goulart, OAB/SP 426.620.

Sociedade & Sócios
01 Preciso de acordo de sócios mesmo sendo uma empresa pequena?
Sim. Toda empresa com dois ou mais sócios, independentemente do porte, precisa de um Acordo de Sócios (ou Acordo de Quotistas). Enquanto grandes corporações já possuem governança corporativa estruturada, pequenas empresas — como as Sociedades Limitadas (LTDA) — são as mais vulneráveis a impasses operacionais. A ausência deste documento paralisa a tomada de decisão e a distribuição de lucros em caso de perda da affectio societatis (a intenção de continuarem sócios).
02 O que é acordo de sócios e o que ele resolve?
O Acordo de Sócios é um contrato parassocial privado que regula a relação interna entre os fundadores de uma empresa. Ele soluciona lacunas do Contrato Social ao estabelecer regras claras para situações de risco. Resolve principalmente:
  • Mecanismos de saída — como avaliar o preço das quotas (valuation) caso alguém queira sair
  • Resolução de impasses (deadlock) — como desempatar votações cruciais
  • Sucessão — o que ocorre com as quotas em caso de divórcio, falência ou morte de um sócio
  • Governança — regras sobre quem aprova a contratação de dívidas ou novos investimentos
03 Contrato social não é suficiente para regular a sociedade?
Não. O Contrato Social é um documento público registrado na Junta Comercial que define apenas a estrutura jurídica exigida por lei — capital social, objeto da empresa e quadro societário. Ele não protege segredos de governança. O Acordo de Sócios entra como documento privado e sigiloso para tratar de regras sensíveis: direito de preferência, apuração de haveres e cláusulas de não concorrência (non-compete).
04 Como sair de uma sociedade sem brigar com meu sócio?
O caminho mais seguro é ter, desde o início, cláusulas de saída bem definidas no Acordo de Sócios — critério de valuation, prazo de pagamento, condições de apuração. Sem regras pré-estabelecidas, a saída segue as regras gerais de Apuração de Haveres do Código Civil Brasileiro, o que frequentemente resulta em litígios judiciais longos e na descapitalização da empresa para pagar o sócio retirante.
05 Meu sócio quer sair da empresa. O que fazer?
Primeiro, verificar o que está previsto no Contrato Social e no Acordo de Sócios, se houver. Sem isso, a saída segue as regras gerais de Apuração de Haveres previstas no Código Civil, que costumam ser mais genéricas e podem gerar discussão sobre o valor das quotas. Formalizar corretamente a saída evita que o sócio retirante seja responsabilizado por dívidas futuras da empresa.
06 Quero abrir uma empresa com um amigo. O que preciso saber antes?
Antes de formalizar, é importante alinhar expectativas sobre dedicação de cada um, divisão de lucros, o que acontece se um quiser sair, e quem toma decisões em caso de desacordo. Muita sociedade entre amigos desanda não por falta de amizade, mas por ausência de um Acordo de Sócios que estabeleça regras claras desde o início.
07 Quanto custa abrir uma empresa e o que está incluso?
O custo varia conforme o tipo societário (MEI, LTDA, S/A) e o município. Além das taxas de registro na Junta Comercial, vale considerar o investimento em estruturar bem o Contrato Social e, se houver mais de um sócio, o Acordo de Sócios — que custa bem menos do que resolver um conflito societário via Ação de Dissolução Parcial de Sociedade posteriormente.
08 Posso ter sócio que só investe dinheiro, sem trabalhar na empresa?
Sim. Esse perfil é conhecido como Sócio Investidor (ou Sócio Capitalista). Para viabilizar isso com segurança, o Acordo de Sócios deve isolar o controle diário nas mãos do Sócio Administrador, ao mesmo tempo em que protege o investimento do sócio capitalista com cláusulas de aprovação para gastos que superem determinado limite.
09 O que acontece com minha empresa se eu morrer ou ficar incapacitado?
Sem planejamento, as quotas entram no inventário e os herdeiros podem se tornar sócios automaticamente — mesmo sem interesse ou capacidade de gerir o negócio. Um Acordo de Sócios bem estruturado pode prever mecanismos como opção de compra pelos sócios remanescentes (buy-sell agreement), protegendo a continuidade da empresa.
Contratos
10 Contrato verbal tem validade jurídica?
Sim, o contrato verbal tem plena validade jurídica no Brasil. Pelo Princípio da Liberdade das Formas (art. 107 do Código Civil), a maioria dos acordos não exige forma escrita. A grande desvantagem não é a validade, mas sim o ônus da prova: sem um documento, comprovar os termos acordados dependerá exclusivamente de testemunhas, e-mails ou mensagens, o que fragiliza sua posição em disputas judiciais.
11 O que não pode faltar em um contrato de prestação de serviços?
Um contrato de prestação de serviços seguro deve conter, no mínimo, as seguintes cláusulas essenciais:
  • Objeto — escopo detalhado e limites do serviço prestado
  • Preço e condições de pagamento — valor exato, datas e forma de remuneração
  • Prazo de execução — cronograma de entregas e vigência do contrato
  • Cláusula penal (multa) — penalidades específicas em caso de descumprimento ou atraso
  • Condições de rescisão — regras para cancelamento antecipado por qualquer das partes
  • Foro de eleição — qual comarca julgará eventuais processos judiciais
12 Qual a diferença entre multa contratual e cláusula penal?
São o mesmo instituto jurídico — cláusula penal (arts. 408 a 416 do Código Civil) é o nome técnico, "multa contratual" é o termo popular. Ela pode ser compensatória (substitui as perdas e danos) ou moratória (pune o atraso, sem excluir cobrança de danos adicionais). Contratos bem redigidos especificam qual tipo está sendo aplicado — ambiguidade nessa cláusula gera discussão judicial.
13 Posso cobrar juros e multa por atraso de pagamento?
Sim, desde que a cobrança esteja expressamente prevista em contrato. Os limites, porém, dependem do tipo de relação jurídica:
  • Relações de Consumo (B2C): o Código de Defesa do Consumidor limita a multa moratória a no máximo 2% do valor da prestação, e juros de 1% ao mês
  • Relações Empresariais (B2B): vigora a autonomia da vontade — empresas têm liberdade para negociar percentuais maiores, desde que não configurem usura ou enriquecimento ilícito
14 O que é cláusula de rescisão e por que ela é importante?
É a cláusula que define como e quando o contrato pode ser encerrado antes do prazo previsto — por qual parte, com qual aviso prévio, e se há multa por rescisão antecipada. Sem essa cláusula, a parte que quiser sair do contrato fica exposta a discussão sobre rescisão unilateral e responsabilidade por perdas e danos (art. 389 do Código Civil).
15 Fiz um contrato mas a outra parte não está cumprindo. O que fazer?
O caminho correto para lidar com quebra de contrato envolve uma progressão legal:
  1. Notificação extrajudicial — primeiro passo formal; constitui a parte devedora em mora e cria a prova documental de que você tentou resolver amigavelmente
  2. Ação de execução — se o contrato tiver assinatura de duas testemunhas, ele é um título executivo extrajudicial, permitindo cobrança judicial rápida com bloqueio direto de bens
  3. Ação de cobrança — se o contrato não tiver força executiva, é necessário abrir processo ordinário de conhecimento para provar a dívida antes de cobrar
16 Meu contrato tem cláusula abusiva. Isso pode ser anulado?
Depende da natureza da relação. Em contratos entre empresas (relação B2B), prevalece a autonomia da vontade — cláusulas são mais dificilmente anuladas, salvo casos de vício de consentimento ou lesão. Já em relações de consumo, o Código de Defesa do Consumidor (art. 51) prevê nulidade de pleno direito para diversas cláusulas consideradas abusivas.
17 O que é due diligence e quando ela é necessária?
Due diligence é a investigação jurídica, financeira e operacional aprofundada de uma empresa, geralmente antes de uma aquisição, fusão ou investimento relevante. Ela revela passivos ocultos — trabalhistas, tributários, contratuais — que não aparecem nos documentos apresentados espontaneamente pela outra parte. Devida diligência mal feita é uma das causas mais comuns de arrependimento em operações de M&A.
18 Contrato em outro idioma tem validade no Brasil?
Sim, contratos em idioma estrangeiro têm validade entre as partes que os assinaram. Porém, para produzir efeitos perante órgãos públicos brasileiros (registro em cartório, processo judicial), geralmente é exigida tradução juramentada. Em contratos internacionais, vale também definir com clareza a cláusula de lei aplicável e o foro de eleição.
19 O que é cláusula de confidencialidade (NDA) e quando devo usar?
NDA (Non-Disclosure Agreement) é o acordo que obriga as partes a manterem sigilo sobre informações sensíveis compartilhadas durante uma negociação ou parceria — dados financeiros, know-how, estratégia comercial. É essencial antes de compartilhar informações confidenciais com potenciais investidores, parceiros ou fornecedores, especialmente em negociações de M&A ou parcerias tecnológicas.
20 Contrato assinado digitalmente tem a mesma validade que assinatura física?
Sim, a assinatura eletrônica possui a mesma validade jurídica que a assinatura física no Brasil. Regulamentada inicialmente pela MP 2.200-2/2001 (ICP-Brasil) e atualizada pela Lei 14.063/2020, as assinaturas digitais são divididas em níveis:
  • Assinatura Eletrônica Avançada — usada por plataformas comerciais (DocuSign, ClickSign), amplamente aceita no mundo corporativo, com presunção de validade e rastreabilidade (IP, token, e-mail)
  • Assinatura Eletrônica Qualificada — exigida para atos com o poder público ou transferência de imóveis, com certificado digital e-CPF/e-CNPJ
LGPD & Proteção de Dados
21 O que é a LGPD e quais empresas precisam se adequar?
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei 13.709/2018) é a legislação brasileira que regula o tratamento de dados físicos ou digitais. Todas as empresas, independentemente do porte ou setor, precisam se adequar se realizarem a coleta, armazenamento ou processamento de dados de pessoas físicas. Não há isenção para pequenas empresas: se um e-commerce ou clínica armazena nome, CPF ou e-mail de clientes, está integralmente sujeito às regras da LGPD e à fiscalização da ANPD.
22 Minha empresa pequena realmente precisa se preocupar com LGPD?
Sim. A fiscalização da ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) já alcança empresas de todos os portes, e reclamações de titulares de dados podem gerar investigação independentemente do tamanho da empresa. Além disso, empresas maiores frequentemente exigem comprovação de conformidade LGPD de seus fornecedores menores como condição contratual.
23 Quais são as bases legais para tratar dados pessoais?
O art. 7º da LGPD prevê 10 bases legais que autorizam o tratamento de dados. As mais utilizadas no ambiente empresarial são:
  • Consentimento — autorização livre, informada e inequívoca do titular
  • Execução de contrato — quando o tratamento é necessário para cumprir obrigação contratual
  • Legítimo interesse — quando a empresa tem interesse legítimo que não viola direitos fundamentais do titular
  • Cumprimento de obrigação legal — quando outra lei exige o tratamento (ex: dados trabalhistas, fiscais)
24 O que é DPO e minha empresa é obrigada a ter um?
O DPO (Data Protection Officer), chamado no Brasil de Encarregado de Dados, é o profissional responsável por ser a ponte entre a empresa (Controlador), os titulares dos dados e a ANPD. A obrigatoriedade depende do porte da empresa:
  • Regra geral: a nomeação é obrigatória para médias e grandes empresas
  • Exceção (Resolução CD/ANPD nº 2/2022): agentes de tratamento de pequeno porte — como MEIs, microempresas e startups — estão dispensados da obrigação de nomear um DPO formal, mas ainda devem disponibilizar um canal direto e claro de comunicação para os titulares dos dados
25 O que acontece se minha empresa não se adequar à LGPD?
A ANPD pode aplicar sanções progressivas, incluindo:
  1. Advertência — com prazo para adoção de medidas corretivas
  2. Multa simples — de até 2% do faturamento da empresa no Brasil, limitada a R$ 50 milhões por infração
  3. Multa diária — em casos de descumprimento continuado
  4. Bloqueio ou eliminação dos dados pessoais — em casos graves
Além das sanções da ANPD, o titular de dados prejudicado pode buscar indenização por danos morais e materiais na esfera cível.
26 O que é um vazamento de dados e o que fazer se acontecer com minha empresa?
Um vazamento é tecnicamente chamado de Incidente de Segurança com Dados Pessoais. Envolve qualquer acesso não autorizado, destruição, perda ou alteração de dados. Segundo o art. 48 da LGPD, a empresa deve comunicar imediatamente a ANPD e os titulares afetados caso o incidente possa acarretar risco ou dano relevante. A resposta ideal exige a execução imediata de um Plano de Resposta a Incidentes, detalhando a natureza dos dados expostos e as medidas técnicas de mitigação adotadas.
27 Preciso de política de privacidade no meu site?
Sim, se o site coleta qualquer dado pessoal — mesmo que seja apenas um formulário de contato ou cookies de análise. A política de privacidade deve informar claramente quais dados são coletados, com qual finalidade, por quanto tempo são armazenados, e como o titular pode exercer seus direitos. Política de privacidade genérica copiada de outro site é um risco: ela precisa refletir o tratamento real feito pela sua empresa.
28 Cookies do meu site precisam de consentimento?
Depende do tipo de cookie. Cookies essenciais (necessários para o funcionamento básico do site) geralmente não exigem consentimento prévio. Cookies de análise, marketing e rastreamento exigem consentimento específico do usuário, geralmente via banner de cookies com opção real de recusa.
29 Posso enviar e-mail marketing para minha base de clientes sem violar a LGPD?
Depende da base legal utilizada na coleta original dos dados. Se o cliente forneceu o e-mail no contexto de uma compra (execução de contrato), o envio de comunicações relacionadas àquela relação comercial geralmente é permitido sob legítimo interesse. Para listas compradas de terceiros ou uso para finalidade diferente da original, é necessário consentimento específico.
30 Contratos com fornecedores precisam ter cláusula de proteção de dados?
Sim, é indispensável. Na linguagem da LGPD, sua empresa é a Controladora (quem decide o que fazer com os dados) e seu fornecedor de software, agência ou contabilidade é o Operador (quem processa os dados em seu nome). O contrato deve conter cláusulas específicas de proteção de dados (DPA — Data Processing Agreement), delimitando responsabilidades em caso de vazamentos. Sua empresa pode ser responsabilizada por erros do seu fornecedor.
Startups & Investimento
31 O que é vesting e por que startups usam essa cláusula?
O Vesting é um mecanismo contratual de retenção de talentos e proteção societária. Ele condiciona a aquisição definitiva de quotas ou ações de uma empresa ao cumprimento de um tempo mínimo de permanência (ou metas). As startups usam essa cláusula para evitar o risco do "sócio fantasma" — o cofundador que abandona o projeto nos primeiros meses, mas levaria consigo uma fatia substancial da empresa para sempre se não houvesse essa trava.
32 O que é cliff no vesting?
Cliff é o período mínimo de permanência antes de qualquer quota começar a ser adquirida. No modelo mais comum (4 anos de vesting com 1 ano de cliff), o colaborador não adquire nenhuma quota nos primeiros 12 meses — se sair antes disso, sai com participação zero. Após o cliff, as quotas passam a ser adquiridas progressivamente.
33 O que é cap table e por que preciso manter o meu organizado?
Cap table (capitalization table) é o documento que registra toda a estrutura de participação societária da empresa — sócios fundadores, investidores, opções de compra reservadas (stock option pool) e seus respectivos percentuais ao longo do tempo. Um cap table desorganizado ou com erros é uma das principais causas de atraso ou cancelamento de rodadas de investimento.
34 O que é term sheet e ele é vinculante?
O Term Sheet (ou Memorando de Entendimentos) é o documento preliminar que resume as regras do investimento — valuation, governança, valor aportado — antes da auditoria (due diligence). Ele é vinculante?
  • Regra: Não. As condições financeiras e a obrigação de investir não são vinculantes até o contrato final
  • Exceção: Sim, para cláusulas protetivas acessórias. As regras de Confidencialidade (NDA) e Exclusividade são vinculantes desde a assinatura
35 Quais documentos um investidor exige antes de investir na minha startup?
Os documentos mais exigidos em uma rodada de investimento incluem:
  • Contrato Social ou Estatuto Social atualizado
  • Cap table completo e histórico societário
  • Contratos relevantes — clientes, fornecedores, parcerias estratégicas
  • Situação fiscal e trabalhista — certidões negativas e passivos conhecidos
  • Propriedade intelectual — registro de marca, titularidade do código-fonte e domínios
  • Acordo de Sócios vigente, se houver
36 O que é SAFE e como funciona em investimentos no Brasil?
O SAFE (Simple Agreement for Future Equity) é um modelo do Vale do Silício onde o investidor aporta capital agora para receber participação societária apenas em um evento futuro (como uma nova rodada), travando vantagens como desconto ou teto de valuation (cap). No Brasil, por segurança jurídica, o instrumento equivalente e mais utilizado é o Contrato de Mútuo Conversível em Participação Societária, regido pelo Código Civil brasileiro.
37 O que é diluição e como ela afeta os fundadores?
Diluição é a redução percentual da participação societária de um sócio quando novas quotas ou ações são emitidas — geralmente em rodadas de investimento. Se um fundador tem 50% da empresa e uma rodada emite novas quotas equivalentes a 20% do capital para um investidor, a participação do fundador cai proporcionalmente. Diluição não é necessariamente ruim: uma fatia menor de uma empresa maior pode valer mais.
38 Preciso registrar a marca da minha startup? Quando fazer isso?
Sim, e o quanto antes. O registro de marca no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) segue o princípio de anterioridade — quem registra primeiro tem prioridade, independentemente de quem usou o nome antes sem registro formal. Startups que crescem sem registrar a marca correm o risco real de precisar rebrandear depois de já terem construído reconhecimento de mercado.
39 Quem é o dono do código-fonte desenvolvido pela minha startup?
A titularidade do código-fonte depende do vínculo jurídico de quem o desenvolveu:
  • Funcionário (CLT): o código pertence automaticamente à empresa. O art. 4º da Lei do Software (Lei 9.609/98) garante que os direitos patrimoniais de criações feitas durante o contrato de trabalho são do empregador
  • Freelancer ou Software House: a titularidade não é automática. Sem cláusula expressa de cessão de direitos de propriedade intelectual, o desenvolvedor externo pode reter os direitos sobre o código, mesmo tendo recebido pelo serviço
40 O que acontece se um cofundador quiser sair antes de a startup decolar?
Sem vesting (Pergunta 31) e sem Acordo de Sócios prevendo essa hipótese (Pergunta 4), o cofundador que sai mantém sua participação societária integral — mesmo não trabalhando mais na empresa. Isso frequentemente inviabiliza rodadas futuras de investimento, já que investidores evitam empresas com "sócios mortos". É por isso que vesting deve ser implementado desde o dia zero da sociedade.
Prevenção de Processos & Riscos
41 Por que prevenir processos custa menos do que se defender?
Prevenção envolve custos previsíveis e controlados — documentação, revisão de contratos, políticas internas. Um processo judicial envolve custos imprevisíveis: honorários, custas processuais, tempo de gestão desviado do negócio, e o risco de condenação com correção monetária e juros acumulados durante anos de tramitação.
42 Quais são os erros mais comuns que geram processos trabalhistas em pequenas empresas?
O passivo trabalhista em pequenas empresas geralmente nasce de erros operacionais não intencionais. Os principais são:
  1. Pejotização irregular — tratar o contratado PJ com subordinação e controle de horários
  2. Descontrole de jornada (horas extras) — falta de registro de ponto confiável
  3. Demissões mal documentadas — falta de registro dos motivos da dispensa
  4. Assédio moral estrutural — falta de políticas internas ou canais de denúncia
43 O que é due diligence trabalhista e quando preciso fazer?
Due diligence trabalhista é a auditoria preventiva da conformidade da empresa com a legislação trabalhista — contratos, folha de pagamento, terceirizados, histórico de reclamações. É especialmente recomendada antes de operações de M&A (para não herdar passivo trabalhista oculto do vendedor), mas também é valiosa como prática periódica.
44 Como devo documentar a demissão de um funcionário para reduzir riscos?
A documentação adequada inclui: carta ou termo de aviso prévio (quando aplicável), registro do motivo da dispensa quando por justa causa, cálculo detalhado das verbas rescisórias, e comprovante de homologação quando exigida. Demissões sem documentação clara são terreno fértil para alegações posteriores.
45 Contratar como PJ (pessoa jurídica) elimina o risco de reclamação trabalhista?
Não. A simples assinatura de um contrato de Pessoa Jurídica (PJ) não elimina o risco, caso configure a chamada "Pejotização" ilícita. Na Justiça do Trabalho, vigora o Princípio da Primazia da Realidade: os fatos do dia a dia importam mais do que o contrato escrito. Se a prestação do serviço apresentar os 4 requisitos do art. 3º da CLT — pessoalidade, não eventualidade, subordinação e onerosidade — o vínculo de emprego será reconhecido judicialmente.
46 O que é reclamação trabalhista e qual o prazo para o ex-funcionário processar?
A Reclamação Trabalhista é a ação judicial onde o trabalhador cobra direitos sonegados. Os prazos seguem duas regras constitucionais (art. 7º, XXIX da CF):
  • Prescrição bienal (prazo para processar) — o trabalhador tem até 2 anos, contados do término do contrato, para dar entrada na ação
  • Prescrição quinquenal (limite de cobrança) — a cobrança de valores retroativos é limitada aos últimos 5 anos trabalhados antes do ajuizamento
47 Como reduzir o risco de processo de consumidor?
As principais medidas preventivas incluem: atendimento documentado (registro de reclamações e respostas), política clara de trocas e devoluções, publicidade que não gere expectativa irreal sobre o produto ou serviço, e canal de atendimento funcional — grande parte das ações de consumidor nasce de reclamações não resolvidas na esfera administrativa.
48 O que é notificação extrajudicial e como ela pode evitar um processo?
Notificação extrajudicial é uma comunicação formal, geralmente enviada por cartório ou com prova de recebimento, que constitui a outra parte em mora e formaliza a tentativa de resolução amigável. Muitas disputas se resolvem nessa fase — a formalização por si só sinaliza seriedade e frequentemente motiva a outra parte a negociar antes de uma ação judicial.
49 Vale a pena ter um contrato de assessoria jurídica contínua em vez de contratar um advogado só quando surge o problema?
Sim — essa é a diferença entre Advocacia Preventiva e Advocacia Contenciosa. Contratar um advogado apenas quando o problema surge (contencioso) significa lidar com custos imprevisíveis de condenações, juros e custas processuais. Já a assessoria contínua (preventiva) funciona como um centro de custo previsível focado em compliance. Historicamente, prevenir é mais barato do que remediar no Judiciário.
50 O que é uma política interna de compliance e minha pequena empresa precisa de uma?
Política de compliance é o conjunto de regras internas que orientam a conduta da empresa e dos funcionários em temas de risco jurídico — desde LGPD até relações trabalhistas e anticorrupção. Pequenas empresas não precisam de estruturas complexas de grandes corporações, mas políticas simples e documentadas já reduzem significativamente a exposição a processos.
Trabalhista: Empregado & Empregador
51 Quais são as verbas rescisórias na demissão sem justa causa?
Na demissão sem justa causa, o pagamento das Verbas Rescisórias é obrigatório.

👤 Visão do Trabalhador: você deve receber aviso prévio (trabalhado ou indenizado), saldo de salário, 13º proporcional, férias vencidas/proporcionais + 1/3, liberação do saldo do FGTS e a multa de 40% sobre o fundo, além das guias do seguro-desemprego.

🏢 Visão da Empresa: o prazo legal (art. 477, §6º da CLT) para pagamento de todas as verbas e entrega dos documentos é de 10 dias corridos contados do término do contrato. O atraso gera multa equivalente a um salário do funcionário.

52 O que caracteriza justa causa e quais os riscos de aplicá-la incorretamente?
A demissão por justa causa ocorre quando o empregado comete falta grave listada no art. 482 da CLT (como abandono de emprego ou insubordinação), retirando o direito a aviso prévio, multa do FGTS e férias proporcionais.

🏢 Visão da Empresa: a Justiça do Trabalho exige prova robusta, proporcionalidade e imediatidade na punição. A melhor proteção é construir um dossiê documental contemporâneo antes de aplicar a dispensa.

👤 Visão do Trabalhador: é perfeitamente possível contestar judicialmente. O ônus da prova é inteiramente da empresa. Se revertida, a empresa terá que pagar todas as verbas de uma demissão comum, retroativamente.

53 Trabalhei fazendo hora extra e nunca recebi. Como comprovar?

👤 Visão do Trabalhador: a cobrança é possível respeitados os prazos prescricionais. A prova normalmente se baseia em cartões de ponto, e-mails, mensagens ou testemunhas.

🏢 Visão da Empresa: a proteção real está no controle de ponto confiável e bem administrado. Sem esse controle, a jurisprudência tende a presumir verdadeira a jornada alegada pelo trabalhador, invertendo o ônus da prova contra a empresa.

54 Meu empregador não depositou o FGTS. O que fazer?

👤 Visão do Trabalhador: o empregador é obrigado a depositar mensalmente 8% da remuneração. A falta de depósito pode ser verificada no extrato do FGTS (app da Caixa) e cobrada judicialmente com correção e juros.

🏢 Visão da Empresa: o atraso reiterado pode configurar falta grave apta a fundamentar rescisão indireta — o empregado "demite" a empresa e ainda recebe todas as verbas de uma demissão sem justa causa.

55 Sofri assédio moral no trabalho. Tenho direito a indenização?

👤 Visão do Trabalhador: sim, configurado o assédio (exposição humilhante, repetitiva e prolongada), há direito a indenização por danos morais, arbitrada pelo juiz. Documentar é essencial.

🏢 Visão da Empresa: a melhor prevenção é ter política interna clara de conduta, canal de denúncia funcional e resposta documentada a qualquer reclamação.

56 Quais estabilidades a empresa precisa observar antes de demitir?
Trabalhadores em auxílio-doença acidentário têm estabilidade de 12 meses após o retorno (art. 118 da Lei 8.213/91). Gestantes têm estabilidade da confirmação da gravidez até 5 meses após o parto (art. 10, II, "b" do ADCT).

🏢 Visão da Empresa: demitir durante período de estabilidade — mesmo sem conhecer a gravidez no momento — gera direito à reintegração ou indenização substitutiva.

57 Posso ser demitido durante licença médica comum (não acidentária)?
Durante o período de afastamento por auxílio-doença comum (não acidentário), o contrato de trabalho fica suspenso, mas não há estabilidade legal automática como no caso acidentário. A demissão durante o afastamento é tecnicamente possível, mas pode ser questionada judicialmente se houver indícios de motivação discriminatória relacionada à condição de saúde do empregado.
58 O que é rescisão indireta e quando ela se aplica?
A Rescisão Indireta — popularmente conhecida como "Justa Causa do Empregador" — é o mecanismo legal (art. 483 da CLT) que permite ao funcionário encerrar o contrato e ainda receber todas as verbas de uma demissão sem justa causa. Ela se aplica quando a empresa comete faltas graves, como atrasos reiterados de salário, não recolhimento do FGTS, assédio moral ou rebaixamento de função. 🏢 Visão da Empresa: a única forma de prevenção é a conformidade contínua (compliance trabalhista).
59 Trabalhei sem registro em carteira. Tenho direitos mesmo assim?
Sim. Pelo Princípio da Primazia da Realidade, a falta de anotação na Carteira de Trabalho (CTPS) não anula os direitos do trabalhador.

👤 Visão do Trabalhador: se os requisitos do vínculo de emprego estiverem presentes na prática, é possível entrar com uma Ação de Reconhecimento de Vínculo Empregatício.

🏢 Visão da Empresa: o risco é altíssimo — além de pagar todas as verbas rescisórias, impostos e INSS retroativos com juros, o empregador fica sujeito a multas pesadas da fiscalização do Ministério do Trabalho.

60 Quanto tempo demora um processo trabalhista?
Varia conforme complexidade e região, mas a primeira instância costuma levar entre 6 meses e 2 anos, podendo se estender em recursos até o TST (Tribunal Superior do Trabalho). Tanto para empregado quanto para empregador, muitos casos se resolvem antes por acordo homologado em audiência, o que reduz tempo e custo para ambos os lados.
Consumidor
61 Comprei um produto com defeito. Quais são meus direitos?
Pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), produtos com vício de qualidade — que os tornem impróprios ao uso ou diminuam seu valor — dão ao consumidor o direito de exigir, à sua escolha: substituição do produto, restituição da quantia paga (com correção monetária) ou abatimento proporcional do preço. O fornecedor tem primeiro um prazo de 30 dias para sanar o vício (art. 18, §1º).
62 Qual a diferença entre vício e defeito no CDC?
No Direito do Consumidor, são conceitos técnicos distintos com consequências diferentes:
  • Vício (problema no produto): é a falha de qualidade ou quantidade que torna o produto impróprio para uso ou diminui seu valor (art. 18 do CDC). Exemplo: uma TV que não liga
  • Defeito (fato do produto): é quando o vício ultrapassa o produto e causa dano à segurança, saúde ou patrimônio do consumidor (art. 12 do CDC). Exemplo: uma TV que explode e causa incêndio
63 Tenho direito de me arrepender de uma compra e devolver o produto?
Sim, através do Direito de Arrependimento, mas a regra depende de onde a compra foi feita:
  • Compras fora do estabelecimento (internet, telefone, catálogo): prazo irrenunciável de 7 dias corridos, contados do recebimento do produto, para desistir sem justificar o motivo (art. 49 do CDC)
  • Compras em loja física: a lei não obriga troca ou devolução por arrependimento — depende exclusivamente da política de trocas voluntária da loja
64 A loja se recusa a trocar um produto com defeito. O que fazer?
Primeiro, formalize a reclamação por escrito (e-mail, chat com protocolo) para ter prova da tentativa de resolução. Se não houver solução em 30 dias, os caminhos incluem: reclamação no Procon, plataforma consumidor.gov.br (mediação direta com a empresa), e, não resolvido, Juizado Especial Cível — que não exige advogado para causas até 20 salários mínimos.
65 Fui cobrado por uma assinatura que não reconheço ou não cancelei corretamente. Tenho direito a reembolso?
Sim. A cobrança indevida gera o direito à Repetição do Indébito. Pelo art. 42, parágrafo único do CDC, o consumidor tem direito à restituição em dobro do valor pago em excesso, acrescido de correção monetária, salvo engano justificável da empresa. Além disso, para assinaturas, a lei exige que o cancelamento seja tão simples e acessível quanto a contratação.
66 Comprei pela internet e o produto nunca chegou. O que fazer?
Primeiro, verifique o prazo de entrega informado no momento da compra — atraso além do prometido já configura descumprimento contratual. Reúna comprovantes (confirmação de pedido, rastreamento) e formalize reclamação com a empresa. Persistindo o problema, os caminhos são Procon, consumidor.gov.br ou Juizado Especial, com direito a restituição integral do valor pago.
67 Publicidade enganosa é crime? Como identificar?
Publicidade enganosa é aquela capaz de induzir o consumidor a erro sobre características, qualidade, quantidade, propriedades, origem ou preço do produto/serviço (art. 37, §1º do CDC) — é prática vedada, e não necessariamente crime, mas gera responsabilidade civil e pode ensejar multa administrativa do Procon. Se a publicidade omite informação essencial, configura publicidade enganosa por omissão, igualmente vedada.
68 Fiz um financiamento e não entendi bem as condições. Isso pode ser anulado?
Contratos de financiamento estão sujeitos ao dever de informação clara e adequada do CDC (art. 6º, III). Se cláusulas relevantes — taxa de juros, CET (Custo Efetivo Total), multas — não foram apresentadas de forma clara, isso pode fundamentar revisão judicial do contrato. A simples alegação de "não entendi" isoladamente não anula o contrato, mas a ausência de informação adequada comprovada é argumento forte.
69 Uma empresa negativou meu nome indevidamente. O que posso fazer?
A negativação indevida (SPC/Serasa) sem a existência de dívida ou sem a notificação prévia exigida por lei gera o dever imediato de indenização. A jurisprudência do STJ classifica essa situação como Dano Moral in re ipsa (presumido) — o consumidor não precisa provar que passou vergonha; o simples fato de ter o nome "sujo" injustamente já obriga a empresa a indenizar. O primeiro passo é exigir a exclusão liminar do apontamento.
70 Qual o prazo para reclamar de um produto ou serviço com problema?
O CDC estabelece prazos decadenciais diferentes conforme o tipo de produto:
  • 30 dias para produtos não duráveis (alimentos, serviços rápidos)
  • 90 dias para produtos duráveis (eletrodomésticos, veículos, celulares)
Quando começa a contar? Se for Vício Aparente (fácil de notar), o prazo conta a partir da entrega do produto. Se for Vício Oculto (defeito de fabricação que demora a aparecer), o prazo só começa a contar a partir do momento em que o defeito se manifesta.
Contratos Pessoais
71 O proprietário quer me despejar sem motivo. Ele pode fazer isso?
Depende do prazo do contrato de locação (Lei 8.245/91):
  • Contrato por prazo determinado: não. O locador não pode exigir o imóvel de volta antes do fim do prazo sem motivo grave (falta de pagamento, infração contratual)
  • Contrato por prazo indeterminado (vencido e prorrogado): sim. É a chamada Denúncia Vazia — o locador pode pedir o imóvel de volta sem justificar o motivo, bastando conceder aviso prévio (notificação) de 30 dias
72 Posso sair do aluguel antes do prazo sem pagar multa?
Em regra, não — a rescisão antecipada por parte do locatário gera multa proporcional ao período restante do contrato (art. 4º da Lei do Inquilinato). Exceção: se a rescisão ocorrer por motivo de transferência de trabalho para outra cidade, comprovada documentalmente, a lei dispensa a multa, desde que respeitado aviso prévio de 30 dias.
73 O que é fiador e quais são seus riscos ao assinar um contrato de fiança?
Fiador é quem garante o cumprimento das obrigações do locatário, respondendo com seu próprio patrimônio em caso de inadimplência — incluindo aluguéis atrasados, multas e reparos. A fiança geralmente não se extingue automaticamente com a renovação tácita do contrato, salvo se expressamente prevista essa limitação.
74 Comprei um imóvel e descobri um problema depois da escritura. Posso desfazer o negócio?
Sim, caso se trate de um Vício Oculto (defeito grave e preexistente que não poderia ser notado em vistoria comum). Pelo Código Civil (arts. 441 a 446), ao descobrir o vício, o comprador tem o prazo de 1 ano para escolher entre duas opções jurídicas:
  • Ação Redibitória — desfazer o negócio, devolvendo o imóvel e recebendo o dinheiro de volta
  • Ação Estimatória (Quanti Minoris) — ficar com o imóvel, mas exigir abatimento proporcional do preço
75 O que é due diligence imobiliária e por que fazer antes de comprar um imóvel?
Due diligence imobiliária é a verificação prévia de documentos do imóvel e do vendedor — certidões de ônus reais, ações judiciais, débitos de IPTU e condomínio, situação registral na matrícula. Evita que o comprador adquira um imóvel com penhora, disputa judicial ou débitos que podem recair sobre o novo proprietário.
76 Fiz um contrato de prestação de serviço para uma reforma e o profissional não terminou o trabalho. O que fazer?
Primeiro, formalize a cobrança por escrito, com prazo razoável para conclusão ou reparação. Persistindo o descumprimento, cabe notificação extrajudicial seguida de ação por inadimplemento contratual, podendo incluir pedido de abatimento proporcional pelo serviço não concluído e indenização por danos causados.
77 O que é cláusula de multa por atraso na entrega de obra ou reforma?
É a estipulação contratual que fixa valor pré-determinado devido pelo prestador em caso de atraso na entrega, dispensando o cliente de provar o prejuízo exato sofrido — a existência do atraso já basta para exigir a multa. Contratos sem essa cláusula deixam o cliente dependente de provar prejuízo específico em juízo.
78 Comprei um carro usado e ele apresentou defeito depois. Tenho direito a algo?
O seu direito depende de quem vendeu o veículo:
  • Comprado em loja/concessionária (B2C): aplica-se o CDC. A loja é obrigada a dar garantia legal de 90 dias para qualquer vício no veículo (motor, câmbio, elétrica)
  • Comprado de particular (C2C): não há relação de consumo, mas sim civil. O Código Civil protege o comprador contra Vícios Redibitórios com prazo de 180 dias, mas não cobre desgaste natural pelo uso
79 Emprestei dinheiro para alguém sem contrato. Como cobrar de volta?
Sem contrato escrito, a cobrança é mais difícil mas não impossível — mensagens de texto, comprovantes de transferência (PIX, TED) com histórico de conversa reconhecendo a dívida, e testemunhas podem servir de prova. O caminho é a notificação extrajudicial seguida de Ação de Cobrança.
80 O que é distrato e quando ele é necessário?
O Distrato é o instrumento jurídico que cancela oficialmente um contrato anterior. Pela regra do Código Civil, o distrato deve seguir a mesma forma exigida para o contrato original — se a compra de um imóvel exigiu escritura pública, o distrato também exigirá. Ele é absolutamente necessário para evitar cobranças futuras: romper um acordo informalmente deixa margem para alegações de abandono ou inadimplência anos depois.
Como Funciona o Atendimento
81 Como funciona a primeira conversa com o Dr. Alexandre?
A primeira avaliação, conduzida diretamente pelo Dr. Alexandre Goulart, é feita pelo WhatsApp, sem custo inicial e sem compromisso. O objetivo é entender o seu cenário de forma simples e direta, sem juridiquês. Após essa triagem, você recebe um diagnóstico franco sobre a viabilidade legal da sua demanda, as opções estratégicas de atuação e os próximos passos sugeridos.
82 O atendimento é só presencial ou também online?
O escritório funciona em modelo híbrido (digital e físico):
  • Atendimento 100% online: atuação em todo o Brasil, com videochamadas, análise de documentação em nuvem e assinatura eletrônica de contratos
  • Atendimento presencial: disponível mediante agendamento prévio nos escritórios em São Paulo (Av. Paulista) e em São José do Rio Preto (Georgina Business Park)
A infraestrutura atende desde demandas locais até empresas de outros estados que preferem o formato remoto.
83 Quanto tempo demora para receber um retorno após o contato inicial?
O tempo médio de resposta pelo WhatsApp é de até 2 horas em dias úteis. Para análises que exigem revisão de documentos ou contratos, o prazo é combinado caso a caso, considerando a complexidade e urgência da demanda.
84 Vocês atendem empresas de outros estados ou só de São Paulo?
Sim, o atendimento online cobre todo o Brasil — contratos, LGPD, questões societárias e consultoria não exigem presença física na maioria dos casos. Para questões que envolvam ato registral local, a orientação e preparação dos documentos são feitas remotamente, com apoio local quando necessário.
85 Preciso assinar algum contrato de honorários antes de começar?
Sim. Antes do início efetivo do trabalho, é formalizado um contrato de honorários que define o escopo do serviço, a forma de remuneração e as responsabilidades de cada parte — conforme exige o Código de Ética da OAB. A conversa inicial de avaliação, no entanto, não exige contrato prévio.
86 Como funciona a assessoria jurídica mensal (contínua)?
A assessoria contínua atua como o Departamento Jurídico Terceirizado da sua empresa. Sob o modelo de Advocacia Preventiva, sua gestão ganha acesso sob demanda para tirar dúvidas cotidianas, revisar contratos antes da assinatura, adequar operações à LGPD e apoiar decisões estratégicas. O objetivo é reduzir a exposição da empresa a litígios, com previsibilidade de custo.
87 Vocês emitem nota fiscal / recibo pelos serviços prestados?
Sim. Todos os serviços são formalizados com contrato de honorários e a devida documentação fiscal, conforme exigências legais e do Código de Ética da OAB.
88 É possível ter uma segunda opinião jurídica sobre um contrato já revisado por outro advogado?
Sim. É comum empresas buscarem uma segunda análise antes de assinar um contrato de valor relevante, especialmente em operações complexas como M&A ou parcerias de longo prazo. A segunda opinião pode confirmar a análise anterior ou identificar pontos que passaram despercebidos — não há restrição ética para isso, desde que respeitadas as regras de sigilo profissional.

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